A Noruega é um dos países mais fascinantes da Europa. Conhecida mundialmente por seus fiordes impressionantes, montanhas cobertas de neve e pela elevada qualidade de vida de sua população, a história da Noruega vai muito além de suas belas paisagens.
Ao longo de mais de dez mil anos, o território norueguês foi palco de migrações humanas, disputas entre reinos, grandes expedições marítimas e profundas transformações políticas e econômicas que moldaram a identidade nacional.
Quando se estuda a história da Noruega, percebe-se que sua posição geográfica desempenhou um papel fundamental em praticamente todos os períodos históricos. Localizada na porção ocidental da Península Escandinava, banhada pelo Mar do Norte, Mar da Noruega e Oceano Ártico, o país desenvolveu uma forte tradição marítima desde a Pré-História.
Essa relação íntima com o mar permitiu aos antigos escandinavos explorar novas terras, estabelecer rotas comerciais e construir uma cultura marcada pela coragem, pela navegação e pela adaptação às condições climáticas extremas.
Hoje, a Noruega figura entre os países com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta, mas sua trajetória até alcançar essa posição foi longa e repleta de desafios.
Povos agricultores, guerreiros vikings, reis medievais, comerciantes da Liga Hanseática, ocupações estrangeiras e a descoberta de petróleo no século XX são apenas alguns dos acontecimentos que explicam como esse pequeno país nórdico se tornou uma referência mundial em desenvolvimento sustentável, democracia e qualidade de vida.
Ao longo deste artigo, você conhecerá a evolução histórica da Noruega desde os primeiros habitantes até os dias atuais. Além dos grandes acontecimentos políticos, exploraremos aspectos culturais, econômicos e sociais que ajudam a compreender por que esse país desperta tanto interesse entre historiadores, viajantes e estudiosos da civilização escandinava.
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| Da Era Viking à potência moderna: a trajetória histórica da Noruega é marcada por conquistas, transformações e desenvolvimento sustentável. |
Os primeiros habitantes da Noruega
A ocupação humana da atual Noruega começou logo após o fim da última Era Glacial, aproximadamente entre 11.000 e 10.000 a.C. À medida que as geleiras recuavam, pequenos grupos de caçadores-coletores avançavam para o norte em busca de novos territórios.
Eles encontraram uma paisagem bastante diferente da atual, com vastas áreas ainda em formação, abundância de animais selvagens e uma costa extremamente rica em recursos marinhos.
Esses primeiros habitantes dependiam principalmente da caça de renas, alces, focas e peixes para sobreviver. Escavações arqueológicas realizadas ao longo do litoral revelaram ferramentas de pedra, ossos trabalhados e vestígios de antigos acampamentos, indicando que essas comunidades possuíam uma notável capacidade de adaptação ao ambiente rigoroso do norte europeu.
Com o passar dos milênios, surgiram pequenas aldeias permanentes. A agricultura começou lentamente por volta de 4.000 a.C., transformando profundamente o modo de vida das populações locais. A criação de animais domésticos, o cultivo de cereais e o desenvolvimento de embarcações mais sofisticadas favoreceram o crescimento populacional e fortaleceram as relações comerciais entre diferentes regiões da Escandinávia.
Ao mesmo tempo, desenvolveram-se crenças religiosas ligadas à natureza. Montanhas, rios, árvores e mares eram considerados locais sagrados, ideia que influenciaria posteriormente a mitologia nórdica.
A formação dos primeiros reinos escandinavos
Durante a Idade do Ferro, aproximadamente entre 500 a.C. e 800 d.C., diversas comunidades agrícolas evoluíram para pequenas chefias regionais. Cada região era governada por líderes locais conhecidos como chefes ou jarls, que exerciam autoridade militar, econômica e religiosa.
Nesse período, não existia uma Noruega unificada. O território encontrava-se dividido em dezenas de pequenos reinos independentes, frequentemente envolvidos em disputas por terras férteis, rotas comerciais e controle dos fiordes.
A geografia contribuiu diretamente para essa fragmentação política. Cadeias montanhosas, vales profundos e fiordes dificultavam a comunicação entre diferentes regiões. Como consequência, cada comunidade desenvolveu tradições próprias, embora compartilhassem idioma semelhante, costumes escandinavos e uma religião baseada na veneração dos deuses nórdicos.
Foi também nessa época que o comércio internacional começou a ganhar importância. Mercadores escandinavos passaram a trocar peles, âmbar, ferro e madeira por tecidos, metais preciosos e produtos vindos do continente europeu.
Essas relações comerciais enriqueceram alguns líderes locais, aumentando seu poder político e preparando o cenário para a futura unificação do país.
A Era Viking e a expansão da Noruega
Entre os séculos VIII e XI, iniciou-se um dos períodos mais conhecidos da história da Noruega: a Era Viking. Muito além da imagem de guerreiros ferozes popularizada pelo cinema, os vikings eram excelentes navegadores, comerciantes, exploradores e colonizadores.
Graças ao desenvolvimento dos famosos dracares — embarcações leves, rápidas e capazes de navegar tanto em alto-mar quanto em rios —, os noruegueses expandiram sua influência para diversas regiões do Atlântico Norte.
Entre as principais conquistas e expedições destacam-se:
- Colonização das Ilhas Faroé;
- Ocupação da Islândia;
- Fundação de assentamentos na Groenlândia;
- Expedições até a América do Norte, séculos antes de Cristóvão Colombo;
- Comércio intenso com as Ilhas Britânicas;
- Navegação pelo Mar do Norte e pelo Atlântico Norte.
Enquanto muitos vikings realizavam ataques a mosteiros e cidades costeiras, outros estabeleciam redes comerciais extremamente lucrativas. Produtos como marfim de morsa, peles, peixe seco, mel, madeira e escravos eram negociados em mercados que ligavam a Escandinávia ao restante da Europa e até ao Oriente Médio.
Essa expansão marítima não apenas trouxe riqueza, mas também favoreceu o intercâmbio cultural. Novas técnicas agrícolas, conhecimentos náuticos e influências religiosas começaram a chegar ao território norueguês, preparando o país para profundas transformações nos séculos seguintes.
Harald Cabelo Belo e a unificação da Noruega
Um dos personagens mais importantes da história da Noruega foi Harald Cabelo Belo (Harald Fairhair). Segundo as antigas sagas nórdicas, ele prometeu que não cortaria nem pentearia os cabelos até conseguir unificar todos os pequenos reinos escandinavos sob um único governo.
Embora parte dessa narrativa possua elementos lendários, muitos historiadores concordam que Harald desempenhou papel decisivo na consolidação política da região durante o século IX.
Sua vitória na Batalha de Hafrsfjord, tradicionalmente datada por volta de 872, marcou simbolicamente o nascimento do Reino da Noruega. Após derrotar diversos chefes locais, Harald estabeleceu uma autoridade central que reduziu os conflitos internos e fortaleceu o poder da monarquia.
Entretanto, a unificação não ocorreu de forma imediata. Diversos líderes regionais continuaram resistindo durante décadas, enquanto outros preferiram emigrar para a Islândia, onde encontraram maior autonomia política.
Mesmo assim, o reinado de Harald lançou as bases para a construção do Estado norueguês e fortaleceu a identidade comum entre os diferentes povos da região.
Além da reorganização política, esse período consolidou instituições importantes, como assembleias locais (Things), responsáveis por resolver disputas, elaborar leis e discutir questões de interesse coletivo. Essas assembleias são frequentemente apontadas como precursoras das modernas tradições democráticas escandinavas.
A cristianização da Noruega
A partir do século X, profundas mudanças religiosas começaram a transformar a sociedade da Noruega. Missionários cristãos vindos principalmente da Inglaterra e da Alemanha passaram a atuar entre as comunidades escandinavas, inicialmente encontrando forte resistência dos seguidores da antiga religião nórdica.
Os reis perceberam rapidamente que o Cristianismo poderia fortalecer seu poder político. Diferentemente do sistema religioso tradicional, baseado em diversos cultos regionais, a Igreja oferecia uma estrutura organizada, capaz de apoiar a centralização do governo.
Entre os principais responsáveis pela cristianização destacam-se os reis Olaf Tryggvason e Olaf Haraldsson, posteriormente conhecido como Santo Olaf. Ambos incentivaram a construção das primeiras igrejas, promoveram conversões em larga escala e combateram práticas religiosas consideradas pagãs.
Embora esse processo tenha sido marcado por conflitos, ao longo do século XI o Cristianismo tornou-se oficialmente a religião dominante da Noruega. Com isso, o país passou a integrar de maneira mais intensa o universo político e cultural da Europa medieval, ampliando suas relações diplomáticas, comerciais e religiosas com outros reinos cristãos.
A Noruega na Idade Média: crescimento, comércio e desafios
Após a consolidação do Cristianismo, a Noruega entrou em um período de fortalecimento político e econômico. Entre os séculos XI e XIII, o reino experimentou um crescimento significativo, impulsionado pela expansão das cidades, pelo aumento das atividades comerciais e pela integração ao restante da Europa medieval.
Nesse contexto, centros urbanos como Bergen, Nidaros (atual Trondheim) e Oslo passaram a desempenhar papéis fundamentais na administração do reino e nas rotas comerciais do norte europeu.
Bergen destacou-se especialmente por seu porto estratégico. Localizada na costa oeste, tornou-se um importante ponto de distribuição de produtos como bacalhau seco, peles, madeira e óleo de peixe. Mercadores provenientes da Inglaterra, dos Países Baixos e das cidades germânicas visitavam regularmente a cidade, fortalecendo a economia local.
Ao mesmo tempo, a Igreja ampliava sua influência, construindo catedrais, mosteiros e escolas, além de contribuir para a difusão da escrita e do conhecimento.
Outro aspecto importante desse período foi a elaboração de códigos legais mais organizados. As antigas assembleias conhecidas como Things continuaram funcionando, mas passaram a coexistir com um governo central mais estruturado.
Essa combinação entre tradição e inovação ajudou a consolidar a monarquia e lançou as bases para instituições que, séculos depois, influenciariam o modelo democrático escandinavo.
Entretanto, esse período de prosperidade seria interrompido por uma das maiores tragédias da história europeia.
A Peste Negra e seus impactos na Noruega
Em meados do século XIV, a Noruega foi duramente atingida pela Peste Negra, epidemia causada pela bactéria Yersinia pestis. A doença chegou ao país por meio de navios mercantes que atracavam nos portos noruegueses, espalhando-se rapidamente pelas comunidades costeiras e pelo interior.
As consequências foram devastadoras. Estima-se que entre um terço e metade da população tenha morrido em poucos anos. Muitas fazendas foram abandonadas, igrejas perderam seus sacerdotes, aldeias desapareceram completamente e diversas regiões permaneceram praticamente despovoadas durante décadas.
Além da tragédia humana, a epidemia provocou uma grave crise econômica. A escassez de mão de obra reduziu a produção agrícola, enfraqueceu a arrecadação de impostos e diminuiu a capacidade militar do reino. A nobreza também sofreu grandes perdas, criando um vazio político que facilitou a influência de reinos vizinhos.
Embora a população tenha começado a se recuperar lentamente ao longo dos séculos seguintes, a Peste Negra marcou profundamente a história da Noruega, alterando sua estrutura social e reduzindo sua influência política na Escandinávia.
A União de Kalmar e a perda da autonomia
No final do século XIV, os reinos da Dinamarca, da Suécia e da Noruega passaram por uma importante reorganização política. Em 1397 foi criada a União de Kalmar, uma aliança que colocou os três países sob o governo de um único monarca.
O objetivo da união era fortalecer a Escandinávia diante das ameaças externas, especialmente do crescente poder das cidades comerciais alemãs e de outros reinos europeus. Na prática, porém, a Dinamarca assumiu rapidamente a posição dominante dentro da aliança.
Para a Noruega, isso significou uma perda gradual de autonomia. Muitas decisões políticas passaram a ser tomadas em Copenhague, enquanto a elite administrativa norueguesa perdeu influência. Apesar disso, o reino manteve formalmente sua identidade, suas leis e algumas instituições próprias.
Durante esse período, a economia continuou fortemente ligada ao comércio marítimo. O bacalhau seco produzido no norte da Noruega tornou-se um dos principais produtos de exportação da região, sendo vendido em grande quantidade para mercados europeus, especialmente durante o período da Quaresma, quando o consumo de carne era reduzido por motivos religiosos.
Séculos de domínio dinamarquês
Após a dissolução prática da União de Kalmar, no século XVI, a Noruega permaneceu unida à Dinamarca por cerca de quatrocentos anos. Esse período costuma ser chamado pelos historiadores de união dano-norueguesa.
Embora muitas vezes seja retratado apenas como uma fase de dominação, esse período também trouxe mudanças importantes. A Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero em 1517, chegou rapidamente ao reino. Em 1537, o luteranismo tornou-se religião oficial, substituindo definitivamente o catolicismo.
A administração pública passou por profundas reformas. O governo dinamarquês fortaleceu o controle sobre o território, reorganizou a cobrança de impostos e ampliou a exploração dos recursos naturais.
Durante os séculos XVII e XVIII, a economia da Noruega diversificou-se significativamente. Além da pesca, destacaram-se:
- exploração madeireira;
- mineração de cobre e prata;
- construção naval;
- produção de ferro;
- comércio marítimo internacional.
A madeira norueguesa tornou-se especialmente importante para países como Inglaterra e Holanda, que necessitavam de grandes quantidades desse recurso para construir embarcações.
Apesar do crescimento econômico, muitos noruegueses passaram a defender maior autonomia política, sentimento que ganharia força no início do século XIX.
O caminho para a independência da Noruega
As Guerras Napoleônicas transformaram completamente o cenário político europeu. A Dinamarca apoiou Napoleão Bonaparte e, após sua derrota, foi obrigada a assinar o Tratado de Kiel em 1814.
Como consequência, a Noruega foi cedida ao Reino da Suécia.
Entretanto, os noruegueses recusaram-se a aceitar essa decisão sem resistência. Aproveitando o momento de instabilidade, representantes de diversas regiões reuniram-se em Eidsvoll para elaborar uma Constituição própria.
Promulgada em 17 de maio de 1814, essa Constituição tornou-se um dos documentos políticos mais importantes da história da Noruega. Inspirada pelos ideais iluministas e pelas constituições americana e francesa, ela estabelecia princípios como divisão dos poderes, representação parlamentar e garantia de diversos direitos civis.
Embora a Suécia tenha posteriormente imposto uma união entre os dois países, a Noruega conseguiu preservar sua Constituição e manter um elevado grau de autonomia interna.
Esse episódio fortaleceu profundamente o sentimento nacional e consolidou a identidade política norueguesa.
A separação da Suécia e o nascimento da Noruega moderna
Ao longo do século XIX, o nacionalismo cresceu em toda a Europa, e a Noruega não foi exceção. Intelectuais, escritores, artistas e políticos passaram a valorizar a cultura nacional, o idioma e as tradições populares.
Finalmente, em 1905, após intensas negociações, a união com a Suécia foi dissolvida de maneira pacífica.
Um referendo nacional demonstrou amplo apoio popular à independência. Pouco depois, o príncipe Carl da Dinamarca foi convidado para assumir o trono, adotando o nome de Haakon VII.
Esse momento marcou o nascimento da Noruega contemporânea como Estado plenamente soberano.
A nova monarquia constitucional passou a investir fortemente em educação, infraestrutura, industrialização e fortalecimento das instituições democráticas. Ao mesmo tempo, o país ampliou sua frota mercante, tornando-se uma das maiores potências marítimas da Europa.
Essa combinação entre estabilidade política, investimentos públicos e crescimento econômico preparou a Noruega para enfrentar os grandes desafios do século XX.
A Noruega durante a Primeira Guerra Mundial
Embora a Noruega tenha permanecido oficialmente neutra durante a Primeira Guerra Mundial (1914–1918), o conflito afetou profundamente sua economia e sua sociedade. Como grande potência marítima da época, o país dependia intensamente do comércio internacional para importar alimentos e exportar produtos pesqueiros, madeira e minérios.
A neutralidade, entretanto, não impediu perdas significativas. Centenas de navios mercantes noruegueses foram afundados por submarinos alemães durante a guerra, causando milhares de mortes entre marinheiros e prejuízos econômicos consideráveis. Ao mesmo tempo, a escassez de alimentos e combustíveis provocou aumento do custo de vida e dificuldades para boa parte da população.
Apesar desses desafios, o conflito demonstrou a importância estratégica da marinha mercante da Noruega, experiência que influenciaria as políticas de defesa e comércio nas décadas seguintes. Além disso, o país intensificou seus esforços diplomáticos para preservar sua independência e evitar envolvimento direto em conflitos internacionais.
A ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial
A neutralidade da Noruega voltou a ser testada durante a Segunda Guerra Mundial. Em 9 de abril de 1940, a Alemanha nazista lançou a Operação Weserübung, invadindo simultaneamente a Dinamarca e a Noruega. O objetivo era controlar os portos noruegueses, garantir o acesso ao minério de ferro transportado da Suécia e impedir que os Aliados ocupassem a região.
Apesar da resistência das forças armadas norueguesas e da ajuda inicial enviada por britânicos e franceses, o país foi rapidamente ocupado. O rei Haakon VII recusou-se a colaborar com os invasores e exilou-se no Reino Unido, tornando-se um símbolo da resistência nacional.
Durante cinco anos, a população viveu sob ocupação alemã. Muitos cidadãos participaram de movimentos clandestinos, ajudando a sabotar instalações militares, transmitir informações aos Aliados e proteger perseguidos pelo regime nazista.
Um dos episódios mais conhecidos foi a sabotagem da fábrica de água pesada em Vemork, considerada decisiva para dificultar o programa nuclear alemão.
A libertação ocorreu em maio de 1945. O retorno do rei Haakon VII foi recebido com enorme entusiasmo, marcando o início da reconstrução nacional e reforçando o compromisso da Noruega com a democracia e os direitos humanos.
O petróleo transformou a história da Noruega
Nas décadas seguintes à Segunda Guerra Mundial, a Noruega passou por um período de rápido crescimento econômico. Contudo, a maior transformação aconteceu no final da década de 1960, quando foram descobertas grandes reservas de petróleo e gás natural no Mar do Norte.
O primeiro grande campo petrolífero, Ekofisk, iniciou sua produção em 1971. Diferentemente de muitos países ricos em recursos naturais, a Noruega adotou uma estratégia de longo prazo para administrar essa riqueza. O governo criou regras rígidas para exploração, tributação e investimento dos lucros, buscando garantir benefícios para toda a sociedade.
Entre as principais medidas adotadas destacam-se:
- forte participação do Estado na exploração do petróleo;
- criação de um fundo soberano para investir os recursos no exterior;
- investimentos contínuos em educação, saúde e infraestrutura;
- políticas de proteção ambiental;
- incentivo à diversificação econômica.
O resultado foi extraordinário. Atualmente, o Fundo Soberano da Noruega, oficialmente chamado Government Pension Fund Global, é o maior fundo soberano do mundo, administrando investimentos avaliados em mais de um trilhão de dólares. Essa reserva ajuda a garantir estabilidade econômica para as futuras gerações, reduzindo a dependência exclusiva da exploração de petróleo.
A Noruega contemporânea
Hoje, a Noruega é frequentemente citada como exemplo de desenvolvimento sustentável, transparência governamental e qualidade de vida. O país combina uma economia altamente competitiva com um amplo sistema de bem-estar social, oferecendo serviços públicos de excelência nas áreas de saúde, educação e assistência social.
Embora não faça parte da União Europeia, a Noruega integra o Espaço Econômico Europeu (EEE), mantendo forte integração comercial com os países europeus. Além disso, é membro fundador da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), participando ativamente de iniciativas internacionais de segurança e cooperação.
Outro aspecto marcante é o compromisso com a preservação ambiental. Mesmo sendo um importante exportador de petróleo, o país investe fortemente em energias renováveis, especialmente hidrelétrica, além de incentivar o uso de veículos elétricos e tecnologias de baixa emissão de carbono.
A sociedade norueguesa também se destaca pelos elevados índices de igualdade de gênero, liberdade de imprensa, confiança nas instituições públicas e baixa corrupção, fatores que contribuem para seu constante destaque em rankings internacionais.
Cultura e tradições que ajudam a compreender a Noruega
A história da Noruega está profundamente presente em suas manifestações culturais. As antigas sagas vikings continuam influenciando a literatura, o cinema e a identidade nacional. Museus preservam embarcações, objetos arqueológicos e documentos históricos que permitem compreender a evolução do país ao longo dos séculos.
As festas tradicionais ainda ocupam lugar importante na vida cotidiana. O Dia Nacional, celebrado em 17 de maio, comemora a assinatura da Constituição de 1814 e é marcado por desfiles, apresentações culturais e pelo uso dos trajes típicos conhecidos como bunad.
A gastronomia também revela aspectos da história norueguesa. Pratos preparados com salmão, bacalhau, arenque, carne de rena e frutos do mar refletem a longa relação do povo norueguês com o oceano e com os recursos naturais disponíveis em seu território.
Curiosidades sobre a história da Noruega
Alguns fatos ajudam a compreender melhor a singularidade da Noruega:
- A tradição democrática do país tem raízes nas antigas assembleias vikings, conhecidas como Things.
- O Dia Nacional da Noruega, celebrado em 17 de maio, é uma das maiores festas cívicas da Europa.
- O país possui um dos maiores litorais do mundo quando são considerados seus milhares de fiordes e ilhas.
- A Noruega foi um dos primeiros países a investir maciçamente em veículos elétricos.
- O Fundo Soberano da Noruega é considerado um modelo internacional de gestão responsável da riqueza proveniente dos recursos naturais.
- O explorador Roald Amundsen foi o primeiro homem a alcançar o Polo Sul, em 1911, consolidando a tradição norueguesa de exploração das regiões polares.
O legado histórico da Noruega
A trajetória da Noruega demonstra que a construção de uma nação sólida depende de planejamento, instituições fortes e capacidade de adaptação às mudanças históricas. Desde os primeiros caçadores que ocuparam a Península Escandinava até os navegadores vikings, passando pelos séculos de união política com Dinamarca e Suécia, o país acumulou experiências que moldaram sua identidade.
A descoberta do petróleo poderia ter criado uma economia dependente de um único recurso. No entanto, graças a políticas públicas responsáveis, investimentos em educação e visão de longo prazo, a Noruega transformou essa riqueza em desenvolvimento sustentável, tornando-se referência mundial em qualidade de vida, inovação e responsabilidade fiscal.
Conhecer a história da Noruega é compreender como um território marcado por montanhas, fiordes e invernos rigorosos conseguiu superar desafios naturais, crises políticas e guerras para construir uma das sociedades mais prósperas e democráticas do planeta.
Conclusão
A história da Noruega é uma narrativa de resiliência, inovação e transformação. Dos primeiros assentamentos humanos à Era Viking, da cristianização às uniões escandinavas, da ocupação nazista à descoberta do petróleo, cada etapa contribuiu para formar o país que conhecemos hoje.
Mais do que um destino turístico de paisagens deslumbrantes, a Noruega oferece importantes lições sobre governança, sustentabilidade, preservação cultural e planejamento econômico. Seu exemplo demonstra que riqueza natural, quando administrada com responsabilidade, pode beneficiar toda a sociedade e garantir prosperidade para as gerações futuras.
Se você aprecia história, geografia ou cultura, estudar a Noruega é uma excelente maneira de compreender como acontecimentos do passado continuam influenciando o presente e inspirando o futuro.
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FAQ
Onde fica a Noruega?
A Noruega está localizada no norte da Europa, ocupando a porção ocidental da Península Escandinava. Faz fronteira com a Suécia, a Finlândia e a Rússia, além de ser banhada pelo Mar do Norte, Mar da Noruega e Oceano Ártico.
Por que a Era Viking foi importante para a Noruega?
Porque consolidou a tradição marítima do país, expandiu suas rotas comerciais e fortaleceu a formação do reino, além de influenciar profundamente a cultura e a identidade nacional.
Quando a Noruega conquistou sua independência?
A Noruega tornou-se plenamente independente em 1905, após a dissolução pacífica da união com a Suécia.
Como o petróleo mudou a Noruega?
A descoberta de petróleo no Mar do Norte impulsionou a economia, permitindo grandes investimentos públicos e a criação do maior fundo soberano do mundo, administrado em benefício das futuras gerações.
A Noruega faz parte da União Europeia?
Não. A Noruega não integra a União Europeia, mas participa do Espaço Econômico Europeu (EEE), mantendo forte integração econômica com os países do bloco.
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Editado e revisado por
Profº J. Inácio


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